domingo, 13 de setembro de 2015

Um fim de semana orquestrado


Sob a regência do maestro Victor Hugo Toro, OSMC apresentou obras de Debussy e Mahler
Foto retirada do site: http://www.slmusicmagazine.com/
“No céu não se escuta nenhum rumor do mundo”. Esta é uma das primeiras frases do poema musicado por Mahler, no quarto movimento da Sinfonia nº 4. Executada pela OSMC - Orquestra Sinfônica de Campinas -, entre os dias 12 e 13 de setembro, no Teatro Municipal José de castro Mendes, a obra é repleta de simbolismos, entre os quais a abertura dos portões do paraíso. A sinfonia de Mahler, que já fora bastante criticada por especialistas à época de suas primeiras apresentações, ganhou contornos especiais com a OSC e teve participação da Mezzo-soprano Constanza Dörr. Além de Mahler, o evento contou com a execução de Clair de lune da Suite Bergamasque, de Claude Debussy. 

EmGoma conferiu o evento durante o domingo, pela manhã. Foi mais um dia de sol estalando, após quase uma semana de chuvas intensas na cidade de Campinas. Ouvimos alguns espectadores para deixar algumas impressões aqui. Entre eles, o poeta Rubens da Cunha, que declara que a alternativa de horários diferentes é muito boa. Observa, também, que achou interessante ver os músicos ainda ensaiando, produzindo músicas dissonantes como se fosse um espetáculo a parte. “Gostei muito da primeira parte da execução, sobretudo por estar associada ao simbolismo”, reflete, referindo-se aos primeiros movimentos de Claire de lune. Quanto à segunda parte, diz que “não conhecia muito o Mahler. Foi interessante ver a sinfonia completa e também a narrativa que existe por trás dela para dar sentido à sinfonia.”

A professora Sônia Manfrinatti revelou que não costuma frequentar teatros, mas gostou muito do que vi, sentindo-se estimulada para retornar mais vezes. Destacou, ainda, que a introdução feita pelo maestro foi muito importante, e que este fato deu uma tonalidade especial para a audição da sinfonia de Mahler. 

As falas do maestro Victor Hugo Toro sobre o quarto movimento da Sinfonia nº 4 de Mahler lembraram eventos que se desenrolam atualmente no mundo, com ênfase para os refugiados da Síria. Não poderia ser diferente: a arte nunca está descolada da realidade que vivenciamos. A equipe do EmGoma espera que a OSMC continue seu excelente trabalho de levar mais música ao mundo.

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