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| Arquivo pessoal |
"Você passa a sua vida inteira pensando que o importante é o azul, dai vem uma pessoa e te fala 'não da pra mudar um pouquinho? Misturar com outras cores para dar um tom diferente?' Mas você sempre foi azul, dai você começa a receber as criticas e a pensar, analisar, poxa, realmente, da pra misturar, variar, a interação nos permite isso, se você não tem essa interação você vai ser sempre o cara do azul, você não aceita mudança, a partir do momento que vamos vendo, olhando pessoas, ouvindo, isso melhora a gente"
Carlos Tellini
Com os avanços tecnológicos e as novas maneiras de comunicar o jornalismo sofreu mudanças e adaptações, a cada nova plataforma é renovada também a forma de transmitir a noticia, sem deixar de lado o compromisso com a verdade e a responsabilidade de se fazer entender da melhor forma possível.Com essas mudanças, plataformas, tecnologias e as diversas formas de transmitir informação o jornalista deve se manter renovado e é a respeito disso que tratamos a seguir, pontuando assuntos que estão presentes no cotidiano jornalistico, analisando pontos de vistas de profissionais experientes, Andrea Mesquita que trabalha em veículos impressos há mais de 15 anos e Carlos Tellini na área há mais de 25 anos por meio do jornalismo impresso, radio e TV, nas linhas a seguir confrontamos pontos de vista, expomos experiencias pessoais e nos familiarizamos com as mudanças cada vez mais frequentes em nossa profissão.
Mudanças no desenvolvimento do trabalho do jornalista
O desenvolvimento e todo o processo jornalistico é feito de outra maneira nos dias de hoje Os produtos de jornalismo atuais diferentes dos de 20 anos atras são reféns da tecnologia que resultam em profissionais multifunções, que por dominarem diversos esquipamentos podem estar em vários lugares cobrindo os mais diversos fatos.
A tecnologia alterou o modelo, o método e o processo de se fazer jornalismo, o jornalista "multimídia" é cada vez mais exigido pelas empresas, deve-se saber fazer de tudo, gravar, escrever, falar, editar, segundo Tellini esse modelo de "Super Jornalista" no passado era exclusividade dos veículos do interior, executar varias funções e receber apenas por uma, é claro: "A gente aprendeu meio que na marra, porque no
interior a gente sempre teve essa situação de se fazer de tudo um pouco, tanto é
que eu tive essa experiência nas rádios que eu passei logo no começo da
carreira de se fazer de tudo, você escrevia, você editava, você ia lá e
apresentava aquilo que escreveu, quantas e quantas vezes eu que não era repórter precisava pegar o gravador e sair pra fazer a reportagem", Já para a paulista Andrea a cobrança das multifunções é atual e um profissional desse tipo sabe transformar o material que produz para diferentes plataformas: "o material que seria usado para um jornal impresso, por exemplo, pode
ser aproveitado também em seu portal e, se for o caso, em uma rádio ou emissora
do mesmo grupo".
Mudanças na audiência/público
Tal desdobramento faz com que o jornalista seja melhor preparado mas implica também na exploração do profissional, afirmam ambos.
Andrea Mesquita.
Com as mudanças de audiência e de publico provenientes da internet o jornalismo sofre uma decadência em sua qualidade, a divulgação de matérias investigativas não é a mesma depois do surgimento da web e as redes sociais. Essa constatação é notória quando analisamos o numero de "likes" e compartilhamentos dos conteúdos na rede, nem sempre aquilo que realmente tem apuração e veracidade, recebe a visualização que deveria "Vejo às vezes reportagens completamente desnecessárias ganhando espaço desproporcional, enquanto assuntos sérios são tratados rapidamente." Andrea Mesquita.
A forma como a noticia chega ao publico, com facilidade e velocidade, contribuem para uma execução mal planejada, a necessidade de se ter de publicar algo porque todos os outros veículos já deram tal noticia, faz com que muitos profissionais cometam erros. A falta de apuração dos fatos é comumente visto e compartilhado nas redes sociais, o que acaba destroçando o jornalismo de certa forma já que a função do mesmo é informar fatos com o máximo de imparcialidade possível e não encher portais e mídias com inverdades virais.
Mudanças na qualidade e execução do trabalho para o profissional jornalista
Segundo os entrevistados as mudanças são inegáveis, tendo em vista os novos meios e ferramentas de trabalho, na visão de Carlos são feitas as mesmas coisas, porém, de forma menos artesanal e relembra os tempos do inicio de sua carreira nos anos 90.
Arquivo"Quantas e quantas vezes eu mexi
em reportagens, não é só equipamento, são técnicas porque equipamentos antigos
faziam as mesmas coisas, 1990 eu me lembro que a gente trabalhava com os rolos
de fita marcava com um “X” e o técnico com uma lamina cortava no ponto
certinho, colava, para poder fazer a edição, parece coisa de 1910 né, mas não é,
era assim que funcionava".
Ao indagarmos se houve benefícios ou malefícios com o advento das mídias sociais e todo esse meio online a informação que obtemos foi unanime, o trabalho do jornalista foi sim precarizado, uma vez que como dito a cima, houve o acumulo de funções e profissionais não muito qualificados a um meio especifico, tornando-se um mercado multifuncional mas sem o devido aprofundamento. Quanto a remuneração e reconhecimento do trabalho a internet serve como vitrine, tornando o trabalho mais visível e conhecido, mas já o reconhecimento monetário é um pouco mais complicado segundo Andrea: "A vantagem é que seu trabalho se torna bastante conhecido do público e também de outros órgãos de comunicação, e pode muitas vezes ajudá-lo a conseguir um novo emprego. A desvantagem é que muita gente pega seu material e o reproduz sem dar o crédito devido". Jornalistas recorrem a internet com sites e blogs independentes como um espaço onde possam se dedicar a assuntos que realmente os interessa, "vejo colegas que, paralelamente ao trabalho desenvolvido em redações, criaram seus sites para conquistarem o público antes de se dedicarem completamente a eles" completa.
Outra preocupação que gera desconforto é a formação destes profissionais, na atualidade o que se vê com frequência é a formação de jornalista que se preocupam com
"É preciso investir mais na formação de profissionais preocupadas acima de tudo com a verdade, e não apenas o número de “curtidas” e compartilhamento de páginas. "
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Ao indagarmos se houve benefícios ou malefícios com o advento das mídias sociais e todo esse meio online a informação que obtemos foi unanime, o trabalho do jornalista foi sim precarizado, uma vez que como dito a cima, houve o acumulo de funções e profissionais não muito qualificados a um meio especifico, tornando-se um mercado multifuncional mas sem o devido aprofundamento. Quanto a remuneração e reconhecimento do trabalho a internet serve como vitrine, tornando o trabalho mais visível e conhecido, mas já o reconhecimento monetário é um pouco mais complicado segundo Andrea: "A vantagem é que seu trabalho se torna bastante conhecido do público e também de outros órgãos de comunicação, e pode muitas vezes ajudá-lo a conseguir um novo emprego. A desvantagem é que muita gente pega seu material e o reproduz sem dar o crédito devido". Jornalistas recorrem a internet com sites e blogs independentes como um espaço onde possam se dedicar a assuntos que realmente os interessa, "vejo colegas que, paralelamente ao trabalho desenvolvido em redações, criaram seus sites para conquistarem o público antes de se dedicarem completamente a eles" completa.
"É preciso investir mais na formação de profissionais preocupadas acima de tudo com a verdade, e não apenas o número de “curtidas” e compartilhamento de páginas. "



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