Poeta,
escritor e cronista apresenta pontos de vista sobre escrita e olhares
Emgoma
conseguiu uma entrevista exclusiva com o poeta, escritor e cronista
Rubens da Cunha. Com seis livros publicados e aguardando o lançamento
de seu próximo livro que deve ocorrer ainda esse ano, Rubens revela
um pouco sobre sua experiência com cronista. É uma ótima
oportunidade de conhecermos esse grande escritor que trocou Santa
Catarina por São Paulo.
Emgoma:
Você poderia comentar um pouco sobre sua relação com a escrita de
crônicas?
Bom,
eu comecei a escrever crônicas a convite do Jornal A Notícia, um
dos mais antigos jornais de Santa Catarina. Isso foi em 2004, escrevi
semanalmente para o Jornal até Junho de 2015. Assim, fui aprendendo
no próprio fazer, na necessidade de se produzir um texto semanal,
com um tamanho determinado, pensando também no leitor do jornal,
enfim, a minha relação com a crônica se deu bem dentro que se
tradicionalmente se considera crônica: um texto breve, escrito para
jornal, normalmente sobre o cotidiano. Eu, aos poucos, também fui
incorporando outros elementos nas minhas crônicas, como uma
linguagem poética, algumas reflexões existenciais. Hoje, eu vejo a
crônica como um espaço ideal para assimilar um olhar cotidiano e
poético sobre a vida.
Emgoma:
Você mora relativamente há pouco tempo em Campinas. Poderia dar
suas impressões sobre a cidade?
É
a primeira vez que eu moro fora de Santa Catarina. Há algumas
diferenças geográficas e climáticas que eu ainda estou me
acostumando: a pouca chuva, o ar seco, a distância do mar. Eu estou
gostando dessa mistura que é possível ver em Campinas: é uma
cidade grande, mas ao mesmo tempo cheia de cantos, de lugares que
remetem à coisa mais interiorana. Estou gostando de andar por aí e
descobrir esses recantos.
Emgoma:
Você como cronista tem um olhar bastante, digamos, aguçado sobre o
cotidiano de uma cidade. O que chamou atenção de seu olhar em
Campinas?
Como
eu disse na resposta anterior, tenho gostado dos lugares: do mercado
municipal, da Estação de Cultura, da Vila Industrial, de algumas
ruas em que as casas antigas ainda não foram destruídas como na Rua
Luzitana. Gosto também dos bares mais tradicionais, que ainda não
se goumertizaram. Há neles uma informalidade que me agrada bastante.
Emgoma:
Você poderia comentar um pouco sobre seu novo livro, no qual você
mistura gêneros e que ainda será lançado neste ano?
O
livro se chama “Breves Exercícios para Fugitivos” e é uma
reunião de 46 crônicas que eu publiquei entre 2008 e 2014 no Jornal
A Notícia. A seleção desses textos foi justamente a ideia de que
eles escapavam do gênero crônica e tocavam a prosa poética, o
texto de reflexão. Esses textos representam essa experiência de
confundir as fronteiras dos gêneros, de permitir ao leitor entrar
neles por diversas portas.
Emgoma:
Pretende fazer o lançamento também em Campinas? Você poderia
deixar suas referências do universo das crônicas?
É
possível que eu faça um lançamento aqui, vamos ver. Minhas
referências são os cronistas clássicos João Do Rio e Rubem Braga,
além de Clarice Lispector e Hilda Hilst escritoras que expandiram o
gênero da crônica justamente para as fronteiras da poesia.

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