terça-feira, 22 de setembro de 2015

Um cronista e seus olhares sobre a cidade

Poeta, escritor e cronista apresenta pontos de vista sobre escrita e olhares

Emgoma conseguiu uma entrevista exclusiva com o poeta, escritor e cronista Rubens da Cunha. Com seis livros publicados e aguardando o lançamento de seu próximo livro que deve ocorrer ainda esse ano, Rubens revela um pouco sobre sua experiência com cronista. É uma ótima oportunidade de conhecermos esse grande escritor que trocou Santa Catarina por São Paulo.

Emgoma: Você poderia comentar um pouco sobre sua relação com a escrita de crônicas?

Bom, eu comecei a escrever crônicas a convite do Jornal A Notícia, um dos mais antigos jornais de Santa Catarina. Isso foi em 2004, escrevi semanalmente para o Jornal até Junho de 2015. Assim, fui aprendendo no próprio fazer, na necessidade de se produzir um texto semanal, com um tamanho determinado, pensando também no leitor do jornal, enfim, a minha relação com a crônica se deu bem dentro que se tradicionalmente se considera crônica: um texto breve, escrito para jornal, normalmente sobre o cotidiano. Eu, aos poucos, também fui incorporando outros elementos nas minhas crônicas, como uma linguagem poética, algumas reflexões existenciais. Hoje, eu vejo a crônica como um espaço ideal para assimilar um olhar cotidiano e poético sobre a vida.

Emgoma: Você mora relativamente há pouco tempo em Campinas. Poderia dar suas impressões sobre a cidade?

É a primeira vez que eu moro fora de Santa Catarina. Há algumas diferenças geográficas e climáticas que eu ainda estou me acostumando: a pouca chuva, o ar seco, a distância do mar. Eu estou gostando dessa mistura que é possível ver em Campinas: é uma cidade grande, mas ao mesmo tempo cheia de cantos, de lugares que remetem à coisa mais interiorana. Estou gostando de andar por aí e descobrir esses recantos.

Emgoma: Você como cronista tem um olhar bastante, digamos, aguçado sobre o cotidiano de uma cidade. O que chamou atenção de seu olhar em Campinas?

Como eu disse na resposta anterior, tenho gostado dos lugares: do mercado municipal, da Estação de Cultura, da Vila Industrial, de algumas ruas em que as casas antigas ainda não foram destruídas como na Rua Luzitana. Gosto também dos bares mais tradicionais, que ainda não se goumertizaram. Há neles uma informalidade que me agrada bastante.

Emgoma: Você poderia comentar um pouco sobre seu novo livro, no qual você mistura gêneros e que ainda será lançado neste ano?

O livro se chama “Breves Exercícios para Fugitivos” e é uma reunião de 46 crônicas que eu publiquei entre 2008 e 2014 no Jornal A Notícia. A seleção desses textos foi justamente a ideia de que eles escapavam do gênero crônica e tocavam a prosa poética, o texto de reflexão. Esses textos representam essa experiência de confundir as fronteiras dos gêneros, de permitir ao leitor entrar neles por diversas portas.

Emgoma: Pretende fazer o lançamento também em Campinas? Você poderia deixar suas referências do universo das crônicas?

É possível que eu faça um lançamento aqui, vamos ver. Minhas referências são os cronistas clássicos João Do Rio e Rubem Braga, além de Clarice Lispector e Hilda Hilst escritoras que expandiram o gênero da crônica justamente para as fronteiras da poesia.

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