sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Os castelos desabaram

 E só nos  sobrou guerreiras!      
               
Sempre estivemos cercados de grandes Heróis e de algumas das mais lindas  princesas, mas elas estão longe de nossa realidade, vivendo em castelos enormes em uma terra tão,tão distante . Assim começa a obra dedicada à artista chilena Violeta Parra. Este é a segunda obra  da coleção "Antiprincesas" da editora de livros Chirimbote que trazem  mulheres latino-americanas como protagonistas. O primeiro livro contou a história de Frida Kahlo.

(Divulgação)
foto :divulgação.

“Escolhemos mulheres que transcenderam sua época, que romperam com o que se esperava delas, mas que também tenham trabalhado com outras pessoas e se dedicado a construir de forma coletiva. Essa é uma condição para ser anti-princesa”, explica Nadia Fink, autora dos livros em parceria com o ilustrador Pitu, em entrevista a Opera Mundi.

 “As princesas esperam sozinhas, buscam a felicidade individual e um final feliz em que necessariamente aparece um príncipe ou, no máximo, uma família. Nós valorizamos outras formas de viver”. O terceiro livro desta coleção será dedicado a Juana Azurduy, uma militar que participou das lutas pela independência da América espanhola.

“Por um lado, o modelo de princesas Disney, reforçado a cada nova produção cinematográfica
 e, por outro lado, a chegada de um modelo que eleva e ressalta as figuras de mulheres 
combatentes, comprometidas com seu entorno” .

"Uma de nossas preocupações foi tentar entender os novos formatos experimentados por meninas e meninos de hoje, onde a linguagem não é linear e, sim, distribuída em várias janelas na tela para interagir. Nós valorizamos as novas gerações e não renegamos suas mudanças e desenvolvimento".

“ Não  queríamos    maquiar  essas mulheres  ou  retratá-las  de  forma  leviana,  porque foram  mulheres  que  trabalharam  com  profundidade tudo que fizeram”, frisa Fink.

A autora explica que os livros procuram mostrar o lado  político de suas reais princesas , independente de suas posições partidárias ou ideológicas, com o cuidado nde não transformar os contos em panfletos.

 “A intenção é disparar ideias nas crianças, não apresentar pensamentos fechados. Não queremos diminuir cabeças, queremos ampliá-las”, avisa a escritora. “Também não queremos matar as princesas, queremos mostrar outras realidades com as quais as crianças possam se identificar.”

(Divulgação)
Foto : divulgação.

Frida e Violeta não viveram felizes para sempre, com seus príncipes e vestidos de festa. A nossa pintora e idealista, mexicana morreu jovem depois  de uma vida marcada pelas doloridas sequelas de um acidente na adolescência.  E Violeta se suicidou pouco antes de chegar aos 50 anos. Para falar desses desfechos que não se parecem em nada com contos de fadas, Fink optou pelo realismo mágico, no caso de Frida, e por deixar em aberto, no caso de Violeta. “Decidimos falar da morte de Frida a partir das lendas mexicanas. No caso de Violeta, preferimos deixar que cada adulto que esteja acompanhando a criança que lê o livro decida como abordar o assunto”, explica.

Depois das histórias, os livros convidam os pequenos leitores a fazer autorretratos em frente ao espelho, como fazia Frida, e a pesquisar canções antigas em conversas com pessoas mais velhas, como fazia Violeta. Convidam crianças a brincar de ser anti-princesas.Por enquanto o livro só pode ser encontrado na Argentina, sempre previsão para chegada ao Brasil.

Mais com certeza vale muito a pena mostrar para os nosso pequeninos ,que a vida nem de longe é um conto de fadas,mais que assim mesmo ,  com todos os desafios que ela nos impõe, continua  encantadora e sempre ali esperando  para ser escrita ,refeita ,por fim vivida eternamente.

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